Chantilly - Mare Soares: Novos autores nacionais

Confesso que o Peixinho está cheio de postagens, ainda no rascunho, de livros que eu já li faz algum tempo e ainda não publiquei. Mas, mais uma vez, vou passar por cima do meu planejamento e publicar a resenha de um outro livro. Só porque eu quero. Hehehehe

(crédito da imagem para Viajando nos Livros)


Comprei esse livro em uma tarde de autógrafos lá no início desse ano. Foi onde também adquiri o Cordas Rompidas, da Rafaela Guimarães (clica no link que tem resenha!).
Nesse encontro com as autoras, ouvindo cada uma delas falar com tanta paixão de seus projetos e embalarem seus livros no colo como se fossem mesmo suas crias, fiquei muito comovida e comprei todos os livros que elas estavam vendendo.

Confesso que o que mais me chamou atenção foi o Chantilly, porque achei a capa uma graça. Pra mim foi a arte mais bem concebida de todos os livros que estavam sendo apresentados ali.
Porém demorei bastante até ler. Só fui começar semana passada.


Sobre a autora:
Conheci a Mare no encontro com as autoras. Ela é uma garota baixinha, agitada, que mexe a sua franjinha quando fala, dona de um cabelo vermelho brilhante e vestida num estilo anos 20 que combinou muito bem com sua personalidade coquete.

(crédito da imagem para Innovative)

No dia do encontro ela estava com o rascunho - filho único de mãe solteira - de seu segundo livro, Copenhague, aninhado em seu colo, esperando pra ser comprado por alguma editora. Depois de Copenhague, ela promete ainda escrever o Champanhe e fechar essa trilogia.

Se você está se perguntando porque a editora que lançou o Chantilly não comprou os outros volumes, eu posso esclarecer: a Mare lançou Chantilly por conta própria, com recursos próprios, sem apoio de nenhuma editora.
E, isso, minha gente, é louvável!
Portanto, uma salva de palmas para a Mare!

(crédito da imagem para Dartmouth)

E se você quiser conhecer mais um pouco da autora, dá uma olhada nessa entrevista que ela concedeu para a Revista Innovative.


Sobre o livro:
Chantilly é o primeiro de uma trilogia que a Mare está escrevendo/vai escrever.
É um livro curto, com 147 páginas. No final tem um link para www.livrochantilly.com.br, mas, infelizmente, esse link não existe, o que me deixou frustrada...

Começando de trás pra frente, achei bem bacana ela colocar umas notas sobre o making off. É muito bom saber o que estava passando pela cabeça dos autores quando eles escreveram seus livros.
Outra coisa que gostei, como falei antes, foi a capa. A foto ficou bem fofa, e o moranguinho com chantili em cima chamou minha atenção para comprar e ler.
Mas o grande problema em relação à capa é que ela não tem absolutamente nada a ver com a estória do livro. Eu achava que era um romance bem bonitinho e tinha grandes esperanças de ler sobre isso quando finalmente tirei o livro da prateleira, mas, na verdade, é uma trama de mistério, e Chantilly se refere à cidade francesa com esse nome, não ao creme de leite batido com açúcar que colocamos em cima dos morangos.

Chantilly fica a 40 km de Paris e é tradicional pela criação de cavalos puro-sangue. É lá que se encontra o famoso Castelo de Chantilly, ou, Le Château de Chantilly.

(crédito da imagem para France for Visitors)

A estória é sobre acontecimentos inexplicáveis que se deram na cidade de Chantilly no ano de 2020. Um cientista, Ethan Stuart, descobre o diário de uma moradora da cidade, Catherine Aragon, dez anos depois, e decide investigar, com a ajuda do bon vivant Leon Saiter. Uma mulher misteriosa, Anabelle, se envolve com Leon durante a investigação e suas intenções não estão muito claras.


Resenha do Chantilly:
Quando a gente escreve a resenha de um livro estrangeiro, acredita que o autor jamais vai chegar a ler o que a gente está falando cá no Brasil, numa língua que o cara não domina. Eu, pelo menos, com a pouca penetração que tem esse blog, acredito que dificilmente ele vai ser lido pela WARDen, Larissa Ione, Suzzane Brockmann, Evangeline Anderson, Damon Suede...
Mas a coisa muda de figura quando você efetivamente conheceu o autor, ele é aqui do Brasil, mais especificamente, aqui do Rio de Janeiro. Por menor que seja o alcance das minhas postagens, há uma possibilidade muito grande de que a Mare venha a ler.

E, com o cenário do desabrochar de novos - novíssimos - autores nacionais dando passos tão ousados como o dela, de publicar seus próprios livros, a gente tem a obrigação moral de incentivar. Eu quero ver crescer essa onda. Gostaria de descobrir cada vez mais livros de garotas que balançam suas franjinhas.
Por isso, apesar de qualquer coisa, não quero que minha resenha seja motivo de desestímulo, e sim que seja uma semente para o aprimoramento da autora.

Chantilly, apesar de pequenininho, foi difícil de ler.
Ele tem alguns problemas de concepção. Como sempre insisto, se a opção do autor é localizar sua estória em um outro país, que ele não conheça, a pesquisa deve ser muito boa. Isso não é só um problema da Mare; a Gena Showalter, em Senhores do Mundo Subterrâneo, quando os coloca em Budapeste, na Hungria, depois os transporta para uma ilha no meio do Mar Mediterrâneo, peca muitas vezes por ter feito uma pesquisa capenga.

As mudanças de ponto de vista ficaram confusas também. Muitas vezes eu precisava voltar para entender quem estava falando, até porque as descrições físicas se confundiam, já que muitas vezes eu não entendia quem estava descrevendo quem.
Mas gostei das partes das correspondências por carta, apesar de achar que essa solução foi um pouco duvidosa, já que hoje, em 2012, bem longe de 2030, dificilmente alguém se comunica por carta.

Outra coisa que a Mare pode melhorar para os próximos volumes é a descrição de pessoas e lugares. Ela poderia se demorar mais fazendo com que o leitor tenha a "sensação" do que está sendo narrado ao contrario da solução de simplesmente descrever todos os detalhes em uma frase. Muitas vezes também algo irrelevante foi excessivamente descrito, como por exemplo:
"[...] a enfermeira perguntava. Tinha cara de poucos amigos. Loura, cabelo perfeitamente presos num coque para trás. Olhos verde oliva inexpressivos. visualmente na casa dos cinquenta anos. Sua cútis extremamente branca realçava algumas marcas faciais."
Chantilly, pág. 100.
Mas o mistério de as pessoas perderem a memória gradativamente e a relação de órgãos do governo com isso foi bem legal. Pena que o livro acabou no meio, deixando um monte de pontas soltas. 
Entendo que a intenção foi instigar o leitor a procurar pelo próximo volume pra descobrir o rumo da estória, mas eu, quando fechei o livro fiquei com cara de Whatafuqui?!

Mesmo assim, pipow, o livro que pra mim ainda precisava ter sido melhorado antes de ser publicado, pode ser o seu preferido. Você pode enxergar nessa iniciativa da Mare um estímulo para que você também publique o seu livrinho que está escondido debaixo da cama ou naquele arquivo oculto do seu computador.
Por isso, leiam o Chantilly.
Eu estou esperando que a Mare publique, seja com o apoio de uma editora ou mesmo novamente por conta própria o Copenhague e o Champanhe.


Outros links:
- Blog da Mare para saber as notícias sobre os livros que ela está escrevendo: Mare Soares.
- Outras resenhas de Chantilly:

2 comentários:

  1. Se eu não tivesse visto a capa, teria pensado na cidade... isso que dá, depois de 10 anos em colégio francês... aheiuhaeiuhaeiuhaeiuaeh E adoro livros de conspiração, esse lance de perder a memória me lembra Fastforward, série onde as pessoas têm um apagão ao invés de perder a memória, ou Miracles que tem um episódio assim tb. Tomara que ela consiga lançar a trilogia inteira!

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  2. Quando vi o nome do livro no post pensei rindo que eu na verdade tinha lido uma fanfic com esse nome, quando li a sinopse percebi que realmente é a fanfic que eu tinha lido dois anos atras, mais ou menos. Acho legal a iniciativa dela de publicar o livro por conta própria. Espero que ela consiga publicar os outros dois tbm.

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd

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