As Vantagens de Ser Invisível - Stephen Chbosky: Absolutamente fantástico!!

Eu sei que sou uma Drama Queen, uma personagem de ópera, mas cara, esse livro é fenomenal!!!!

Dia 20 de fevereiro chegaram la em casa três livros. Cada uma deles deu origem a um filme diferente. Mas não vou contar sobre os outros dois (é surpresa! aguarde e confie), vou falar sobre esse aqui: As Vantagens de Ser Invisível.

(crédito da imagem para Literalmente Falando)

Foi um amigo que me recomendou o filme. E eu consegui esperar terminar de ler o livro todo antes de ver o filme (na verdade, vi o filme no mesmo dia em que terminei o livro!).
Mas, visitando as livrarias online da vida, ele estava em promoção e eu resolvi comprar. Quando chegou lá em casa, era tão fininho (223 páginas) que eu resolvi ler - mesmo estando no meio da leitura de Cinquenta Tons Mais Escuros.

Capa original. O volume que eu tenho tem a capa como a da primeira imagem do post.
(crédito da imagem para Literalmente Falando)

Não me arrependi.
E nem consegui largar o livro até ele terminar. No dia seguinte.
E fiquei ansiosa para ver o filme assim que o livro terminou. Porque o livro era tão bom e tinha umas partes tão perfeitas, que eu tinha de saber como os produtores conseguiriam colocar isso na tela.


- Sobre a estória
A gente abre o livro e sem, nenhuma introdução, lá está uma carta, explicando para o destinatário que, embora o remetente não vá se identificar, essa carta foi mandada intencionalmente porque o remetente acha que o destinatário é uma pessoa legal e que acha que vai entendê-lo.

Capa do original em inglês.
(crédito da imagem para Monkey See)

Se eu já não soubesse que o livro valia muito à pena ler, teria me desinteressado no primeiro parágrafo da primeira carta (na verdade, assim que eu li o parágrafo, fechei o livro achando que tinha feito mau negócio em começar a lê-lo, mas respirei fundo e continuei. Não me arrependi depois).
"Estou escrevendo porque ela disse que você me ouviria e me entenderia, e não tentou dormir com aquela pessoa naquela festa, embora pudesse ter feito isso."
Charlie, As Vantagens de Ser Invisível, pág, 12.

O livro é formado das cartas de Charlie para o Querido Amigo. Não temos a visão do destinatário em nenhum momento. Não sabemos o que ele acha das cartas, se ele descobre quem é Charlie. Não sabemos nem seu nome na verdade, pois todas as cartas são endereçadas ao Querido Amigo.
Essas cartas são escritas no período de um ano letivo, quando Charlie entra para o high school, algo como nosso segundo grau.
Tem uma coisa que eu não consigo entender sobre o high school norte-americano que é essa proliferação de gente cruel nas escolas e falta de providência para corrigir isso das autoridades educacionais. É meio como se isso fosse estimulado, pra separar as pessoas em estratos, os queridinhos, atletas e patricinhas no topo e no fundo os esquisitos e os "perdedores".

Charlie é um esquisito, e por isso automaticamente, um "perdedor".
Ele é um garoto de 15 para 16 anos com muitos problemas emocionais e até mentais, depressivo, esquizofrênico  Mas isso vai se revelando ao longo do livro e a gente se pega imaginando como os familiares e os amigos dele não se dão conta de nada.

Sobre os amigos, ele é super solitário depois que perdeu seu melhor amigo Michael. E sua família é fria, cada um com seus próprios demônios. Não se abraçam muito - ele conta cada abraço e cada "Eu te amo" que recebe quase como um prêmio. Charlie também tem péssimas lembranças da morte da sua tia Helen, que era a pessoa preferida dele no mundo. E isso afeta completante sua visão dele mesmo e sua vida.

Ele conhece dois irmãos, Patrick e Sam (é uma menina). E meio que começa a viver, pois vai às suas primeiras festas, experimenta suas primeiras cervejas, seus primeiros cigarros e suas primeiras drogas. Vai ao seu primeiro baile, sai com sua primeira garota, faz sexo pela primeira vez.

Seu professor de literatura enxerga nele um grande potencial e sempre lhe dá livros fenomenais pra ler como O Apanhador no Campo de Centeio de J.D. Salinger e Pé na Estrada de Jack Kerouac (altamente recomendado pelo mesmo amigo que mandou eu ver o filme The Perks of Being a Wallflower, o título original do AVDSI), Naked Lunch de William S. Burroughs, O Estrangeiro de Albert Camus, Este Lado do Paraíso de F. Scott Fitzgerald, Peter Pan de J.M. Barrie, A Separate Peace de John Knowles, O Sol Nasce para Todos de Kurt Benno Eckert, O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald, Hamlet de Shakspeare, Walden de Henry David Thoreau e The Fountainhead de Ayn Rand. Além dos livros que Charlie já leu por conta própria e de onde tirou coisas fenomenais, como o poema que ele leu para seu amigo Patrick (página 80. Incrivelmente triste...).
*Claro que eu fiquei MORRENDO de vontade de ler todos esses livros!!*

Por falar no Apanhador, achei a referência muito explícita neste livro. Lembro que gostei demais quando li o Apanhador pela primeira vez, e achei o As Vantagens muito parecido, seja na idade do garoto, no seu jeito de enxergar a vida e as coisas que estão à sua volta, os amigos que ele perde (a morte de Michael e a morte de Allie em O Apanhador) como na narrativa.
As semelhanças e diferenças são notáveis. Mas as diferenças são muito tristes. O mesmo amigo que indicou o filme fez uma observação muito pertinente sobre a estória e sua relação com O Apanhador: enquanto O Apanhador no Campo de Centeio fala com a linguagem de um adolescente sobre sua busca pessoa pela liberdade, As Vantagens de Ser Invisível fala sobre sua busca para entender e superar a depressão e tristeza.

Além das referências a excelentes livros, há também referência a excelentes músicas!!! Imperdível!!

E ele conta tudo isso de uma maneira truncada e confusa nas suas cartas. Fiquei me perguntando coisas depois que li o livro como se essas cartas fossem reais e como se a estória também fosse.
Me perguntei se o destinatário ficava ansioso esperando as cartas de Charlie, se ele sequer lia quando as recebia.
Essa estória me fez pensar...


- Sobre o livro
As Vantagens de Ser Invisível é um livro em primeira pessoa que utiliza bem esse ponto de vista de narração. Charlie conversa com o leitor como se as cartas que ele mandasse fossem especialmente enviadas para a gente. Faz com que cada um que leia sinta que o livro foi escrito para si.

Na narrativa do livro eu tive a impressão do Charlie ser um garoto muito infantil - minha primeira impressão é que Charlie devia ter uns 13 anos. E, tentando me lembrar como as pessoas eram em 1991 (quando são escritas as cartas), ainda assim tive a impressão de que um garoto de 16 anos não se comportaria daquela forma.

A maneira dele se expressar no livro é confusa, pra dar a gente a perspectiva de que estamos lidando com alguém emocionalmente instável e confuso. E isso funciona perfeitamente! E, se o escritor consegue passar para o leitor as impressões que ele tinha em mente quando escreveu, ele é um ótimo escritor!

Mas o livro tem uns momentos muito engraçados!
"Ele disse também que eu devo usar as palavras do vocabulário que eu aprendo na aula,  como 'corpulento' e 'icterícia'. Eu as usaria aqui, mas não acho que sejam apropriadas para um texto como esse."
CharlieAs Vantagens de Ser Invisível, pág, 24.

E uma frase marcou bastante. Tipo aquelas frases que marcam a vida.
 "Charlie, a gente aceita o amor que acha que merece."
BillAs Vantagens de Ser Invisível, pág, 35. 

E a angústia de Charlie era tão palpável que chegava a ser perturbadora.
"Só queria que Deus, ou meus pais, ou minha irmã, ou alguém, me dissesse o que há de errado comigo. Que me dissesse como ser diferente de uma forma que faça sentido. Que fizesse tudo isso passar. E desaparecer. Sei que é errado, porque a responsabilidade é minha, e sei que as coisas pioram antes de melhorar porque é o que diz meu psiquiatra, mas essa fase pior está grande demais pra mim."
CharlieAs Vantagens de Ser Invisível, pág, 149.
Mesmo eu tendo dificuldade de entender a depressão e as pessoas deprimidas, deu pra entender que quem se sente assim está tentando ser diferente e está frustrado e angustiado porque simplesmente não consegue...


- Sobre o filme
Eu sabia que o filme não conseguiria ser tão bom quanto o livro, mesmo com o Stephen Chbosky sendo o roteirista e diretor, mas mesmo assim fiquei meio decepcionada. Achando que se tivesse visto o filme primeiro teria achado melhor.

Cartaz internacional do filme.
(crédito da imagem para Cinema e Afins)

Não entendi porque algumas mudanças foram feitas, como o nome do professor de Charlie e a relação que eles tinham. A relação deles no livro, que era tão forte e tão importante, ficou super diminuída no filme. E a mudança dos nomes (o professor se chama Bill no livro e Sr. Anderson no filme, e a lanchonete que eles frequentam é Big Boy no livro e Kings no filme) não tinha motivo nenhum pra acontecer.
Eu realmente não gosto de mudanças entre o livro e o filme, principalmente quando não fazem sentido. E não entendo como Stephen Chbosky, que é o diretor e roteirista, e que também é o autor do livro, resolveu violentar sua própria obra.

Sobre os atores, bem, inicialmente é difícil se libertar das impressões que eu já tinha deles, porque Charlie é interpretado por Logan Lerman, o Percy Jackson; Sam é a Emma Watson, a Hermione de Harry Potter; e Patrick é Ezra Miller, o Kevin de Precisamos Falar Sobre Kevin (filmaço!!!).
Não achei que o Logan era o Charlie do livro. No filme Charlie era mais seguro. Isso incomodou.
Emma Watson não me convenceu como Sam também. No livro ela era mais doce e mais inteligente emocionalmente.
Mas Ezra está excelente como Patrick! Estava tensa com algumas cenas dele, mas ele mandou muito bem.

Com relação ao livro, no filme a passagem de tempo está menos marcada. Parece que tudo aconteceu mais rápido. Mas acho que não há muito jeito de fazer diferente em um filme de 1h e 40 min.

Sei que um monte de gente prefere ver o filme do que ler o livro, mas o livro é infinitamente mais rico.
Se você já viu o filme e gostou, definitivamente vai amar o livro.

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