Garota Exemplar - Gillian Flynn: O livro da moda - Resumão e Spoilers

Talvez alguém estranhe que eu não esteja me rasgando de elogios pelo Garota Exemplar já la no título, e deva estar se perguntando: O livro é ruim, Gabizinha?

(crédito da imagem para Viagem Literária)

A resposta é: Não, o livro não é ruim. É bem escrito, é bem encadeado, tem um ritmo excelente e você não quer largar até chegar ao final.

Mesmo assim... Não.
Não posso dizer que é tão maravilhoso quanto as resenhas que tenho lido por aí indicaram.
Por quê? Porque eu não gostei do livro. Terminei o livro com raiva dele e provavelmente não lerei mais nada que a Gillian Flynn escreva.

Aliás, é por causa de tantas resenhas elogiosas que passei o Garota Exemplar na frente de outros livros que estava lendo (O Em Chamas da Suzanne Collins, por exemplo estava na cabeceira com 100 páginas lidas e deixei de lado por esse aqui. #01arrependimento). A resenhas falavam de um livro tão especialmente foda que minha ansiedade foi nas alturas e eu tive de largar tudo para ler. Imediatamente.
Sério. Não achei uma resenha com pessoas que não tivessem AMAAAAAADOOOOO o livro.

Não sei o que esperava.
Acho que esperava algo surpreendente. Algo que fizesse eu rever meus conceitos, que descobrisse na Gillian Flynn um novo gênio literário, um livro que me surpreendesse completamente.


Bem, tem uma provinha do livro providenciada pela Intrínseca, pra quem quiser. Posso dizer que quando li, me convenci a comprar e que gostei. Só depois...
Tá aqui o hotsite. É só clicar: Garota Exemplar

O livro é bem escrito. A narrativa é bem encadeada. A Gillian é uma ótima escritora.
Mas foram tantos elogios, tantos queixos caídos, tanto bafafá, que quando o livro terminou eu fiquei meio assim: Era isso? Sério que as pessoas compraram essa estória como boa?

Mas estou estragando a resenha.
Vou começar de novo. Vamos primeiro saber do que se trata o Garota Exemplar.


Sobre o Livro

Daqui a pouco o filme desse livro já sai. Escolheram a Reese Whitherpoon para interpretar a Amy. E nessa foto ela posa ao lado da autora Gillian Flynn.
(crédito da imagem para Just Jared)

Conhecemos Amy e Nick Dunne.
O livro começa no dia do aniversário de cinco anos de casamento dos dois. Tradicionalmente nessa data, inspirada pelo casamento perfeito de seus pais, ela organiza uma "Caça ao Tesouro", que consiste em Nick vagando pela cidade, indo a lugares onde eles tiveram bons momentos, resgatando pistas para, finalmente chegar ao seu presente de aniversário.
Nesse dia Amy desaparece.

Com um monte de pontas soltas na sua estória, um monte de coisas mal-contadas, um monte de segredinhos estranhos, Nick se configura imediatamente como o suspeito número 1 não só do desaparecimento, como do possível assassinato de Amy.
"É sempre o marido, pensei. Todo mundo sabe que é sempre o marido, então por que eles não podem simplesmente dizer isso? Suspeitamos de você porque você é o marido. é só assistir Dateline."
Nick, Garota Exemplar, pág. 54


Cada capítulo do livro se alterna entre a narração de Nick e as passagens no diário de Amy.
E ambas as versões do casamento são tão conflitantes que você sabe imediatamente que um dos dois está mentindo feio.

A parte de Nick começa no dia em que Amy desaparece. Ele vai construindo uma imagem da esposa insatisfeita, reprovativa, crítica, mas muito inteligente.
"Minha esposa tinha um cérebro brilhante e explosivo, uma curiosidade voraz. Mas suas obsessões tendiam a ser alimentadas pela competição: ela precisava surpreender os homens e deixar as mulheres com inveja."
NickGarota Exemplar, pág. 56


Ele se vende inseguro e infeliz, porém covarde para fazer algo em relação a isso. E ele também é pragmático e interesseiro, já que sua esposa é rica.
Ele não é bom em demonstrar sentimentos nem é muito atencioso. Ele diz estar cansado de ficar o tempo todo tentando adivinhar o que a Amy quer, ou o que pensa e que já não se interessa mais em tentar lhe satisfazer todas as vontades como no início de seu relacionamento.

Amy no seu diário se mostra ansiosa para agradar o tempo todo, tentando ser a melhor esposa do mundo para Nick, mas se decepcionando constantemente. Esperando uma série de atitudes que demonstrem que ele se importa, mas lidando com um muro de insensibilidade. Ela exemplifica suas decisões com testes de personalidade como os que ela faz para revistas de variedades.
É uma imagem completamente diferente da que Nick constrói sobre ela.
Amy realmente é uma garota bem rica. Ela é filha de psicólogos que escreveram uma série de livros chamada Amy Exemplar. Óbvio que a série de livros foi inspirada nela.
Como contraponto ao fato de que seu casamento realmente não estava indo bem, seu pais eram o exemplo vivo do que se pode chamar de "almas gêmeas".
Com o passar do tempo, Amy parece ir ficando cada vez mais infeliz e sozinha, sendo forçada a fazer coisas que ela não quer para acompanhar o marido e sem ganhar nada em troca. Nem mesmo afeto de Nick, que está cada vez mais distante.

No início da narração do seu diário, Amy está em 2005, solteira e super contentinha de ter conhecido uma cara: Nick. Mesmo assim, ela faz umas observações bem interessantes sobre relacionamentos, viu. Quando fala sobre casais que se acomodaram com alguém para casar, não porque estivessem vivendo um grande amor, mas porque simplesmente não querem mais se importar em discutir, ela diz:
"Ele está fazendo o que você manda porque não se importa o bastante para discutir."
Amy, Garota Exemplar, pág. 39


Os dois ficaram desempregados quase ao mesmo tempo e tiveram de se mudar de Nova Iorque para uma cidadezinha do Missouri, a pequena Carthage. Amy emprestou o dinheiro para que seu marido e a irmã dele, Margo - que todos chamam de Go - abrissem um bar na cidade.

O livro se desenrola com as evidências do assassinato de Amy sendo reveladas pelos detetives Rhonda Boney e Jim Gilpin, e Nick negando repetidamente sua participação, mas sem ter um álibi que o salve.
Ao mesmo tempo, vamos acompanhando o diário de Amy e ela vai se afundando cada vez mais da infelicidade, mostra sinais de medo de Nick, e é obrigada a assumir um monte de responsabilidades até mesmo frente à família dele, já que ela conta em seu diário que ele é irresponsável e incapaz de lidar com situações desagradáveis.

Então acontece a "grande" reviravolta.
Pelas aspas dá pra notar que eu não achei assim uma "grande" reviravolta.
Pois é.

Então, a partir da "reviravolta" o livro gira 180 graus e a estória toma outro rumo.
E foi a partir daqui que eu passei a não gostar mesmo do livro.
Não porque eu quisesse que a estória fosse diferente, mas porque os personagens começaram a ficar completamente irreais e eu deixei de acreditar neles totalmente. Com isso não quis dizer que deixei de acreditar no que eles diziam, deixei de acreditar em qualquer veracidade remota daqueles personagens, deixei de acreditar que eles poderiam ser pessoas reais.

De toda maneira, Gillian Flynn escreve muito bem. O grande destaque foi o ritmo que faz mesmo com que você queira devorar o livro todo de uma vez.
Mas, definitivamente, não é uma boa criadora de gente: não dá pra acreditar nas pessoas que ela inventa. Foi tudo muito falso.
Não gostei.

E para piorar a situação, achei esse livro muito parecido com o Não Conte a Ninguém, do Harlan Coben - que é muito melhor, na minha opinião.

(crédito da imagem para S2 Ler)

Então, vamos ao fatos que fizeram eu não gostar desse livro:
  • Nick é muito burro. Completamente idiota, faz exatamente tudo que qualquer pessoa com meio cérebro, estando sendo acusado de assassinato, não faria. Ele mente para a polícia sobre seu paradeiro, inventando estar em um lugar onde todos sabem que ele nunca vai e onde não há ninguém para provar que ele esteve. Mente sobre coisas bobas, inventa desculpas muito esfarrapadas para uma bobeira sem tamanho. Então quando a polícia descobre suas mentiras, ele perde cada vez mais a credibilidade e fica cada vez mais configurado como suspeito.
  • No início do livro, Amy se apresenta em seu diário como a pessoa mais patética, carente e ansiosa do mundo. O crédito do livro é que do jeito que Nick conta seu lado da estória, parece simplesmente que são duas diferentes interpretações da mesma pessoa. Parece que quanto mais ela se esforça com presentes e surpresas para agradar, mais ele fica confuso porque não consegue entender todo o amor de Amy por ele.


Desabafinho
Não quero que você aí, do outro lado da tela, leia o que estou escrevendo e ache que estou aqui querendo tirar uma ondinha de pseudo-intelectual criticando um livro super elogiado, ou que esteja fazendo isso para aparecer. Juro que não é isso.

Não gosto de estereótipos.
Mas acho que quando uma pessoa vem na minha casa e vê minha estante de livros e não encontra uns livros clássicos - ao contrário, vê que ela está recheada de romances recentes feitos para divertir muito mais do que para criar uma tendência literária para uma geração - a pessoa me coloca imediatamente dentro de um grupo. O de leitores de segunda classe.

Não quero que pareça nem pra mim nem pra ninguém que somos leitores de segunda classe porque temos a clara noção de que gostamos de ler pelo prazer de ler em si, sem nos importarmos em rotular os livros que escolhemos. Não quero que ninguém diga que nossos livros prediletos são livros de segunda classe.

Mesmo dentro dos estilos de livros que eu prefiro, consigo reconhecer quando há coisa boa e quando há coisa ruim. Autores bons e ruins. Livros bons e ruins.
Gosto dos livros que gosto não porque eles foram escritos por fulano ou beltrano, ou porque estão na moda, ou porque são clássicos, ou porque são trendy
Gosto dos livros que gosto porque eles me envolvem.

Muito brega isso de "livro envolvente", mas não tem como descrever de outra maneira.
Quando um livro é muito bom, ele te leva para uma realidade que, por mais fantástica que seja - vampiros, lobisomens, anjos - você acredita que seria plenamente possível aquilo estar acontecendo. Você gostaria que aquilo fosse mesmo verdade - ou teria terror absoluto se fosse, dependendo da estória.

O que aconteceu comigo em relação ao Garota Exemplar é que eu realmente não comprei a estória.
Apesar de bem escrito, do ritmo te prender e de você querer ler sem parar, me senti distante do que estava acontecendo, porque em nenhum momento acreditei na veracidade nem de Nick, nem de Amy.


Resumo maroto - Com spoilers
Bem, antes de descer para o resumão, gostaria de pedir, se essa é a primeira resenha que você lê de Garota Exemplar, que você leia outras para ter diferentes opiniões sobre o livro.

Tem muita gente gostando e pode ser que você goste também.
Por isso não quero me sentir responsável por alguém deixar de ler esse livro - que é excelentemente escrito, acredite - porque se baseou somente na minha opinião.
E, vou reiterar: detestei o livro. O pior é que  estava esperando AMAR! Achar o livro FENOMENAAAAAL!! EXPETACULAAAAAAR!!

Desde o início do livro, desde a primeira página, dá pra notar que Nick não aguenta sequer olhar para a cara de Amy. Não que isso suscite algo violento da parte dele, é mais como se ele tivesse chegado a seu limite, mas não soubesse como terminar as coisas de fato.
Na verdade é isso mesmo o que acontece: ele a trouxe de seu estilo de vida de Nova Iorque para uma cidade do interior, ela lhe emprestou um monte de dinheiro para que ele e sua irmã abrissem um bar e mesmo assim ela a está traindo há mais de um ano com uma aluna sua da universidade. Ele não conseguir tomar uma atitude por causa de sua mania de sempre querer ser amado, de nunca querer ser o vilão, mesmo que estivesse fazendo algo errado, é o que motiva todo o livro.

Eu odiei Amy desde a primeira entrada em seu diário. Não suporto gente carente. E tudo parecia muito forçado! Ela ficava tentando fazer com Nick coisas que seus pais faziam entre si, como a estória da "Caça ao Tesouro": ela deixava charadas como pistas para Nick, que ele não conseguia decifrar e ela ficava frustrada no final. Escolhia presentes que ele não gostava e depois ambos ficavam frustrados um com outro. Típico casamento de uma garota mimada com um cara normal. Ou seja, uma coisa que deveria ter terminado antes de começar.

E a amante idiota que Nick arruma é inacreditável! Não consegui acreditar que nenhuma pessoa, por mais jovem que fosse, iria ficar correndo atrás de seu amante acusado de matar sua esposa, mesmo depois de ele ter dito explicitamente que era para ela manter-se discreta. Cara, dá tanta raiva da impossibilidade dessa pessoa, que nem consigo explicar.
Se qualquer um estivesse realmente apaixonado, iria fazer de tudo para que seu amado saísse dessa situação, não ficar tentando deixar ele cada vez mais enrolado.

E as incongruências entre quem Nick achava que Amy era, quem ela se dizia ser e quem as outras pessoas achavam que ela era também só apareceram depois do desaparecimento acontecido. Tá bom, ninguém nunca conversou entre si para comparar as estórias?

Mas as mentiras descaradas de Nick frente à opinião pública, frente à polícia... Nossa, tem que ser muito tapado para se enrolar desse jeito.
"Você continua a mentir como um garotinho. Ainda quer desesperadamente que todos pensem que você é perfeito. Nunca quer ser o vilão. Então você diz aos pais de Amy que ela não queria filhos. Você não diz que está traindo sua esposa. Você jura que os cartões de crédito em seu nome não são seus, jura que estava na praia sendo que você odeia praia, jura que seu casamento era bom. Simplesmente não sei no que acreditar no momento."
GoGarota Exemplar, pág. 222


Mas eu realmente detestei do fundo do coração o fato de que Amy é a vilã mais absolutamente malvada de toda a literatura eváaahh!!
Sério, gente, ela é mais cruel que Jigsaw, mais inteligente que Lex Luthor, mais onipresente que Sauron.
Vamos à lista de proezas da super vilã:
  • Veja você se dá para acreditar: ela conta que sua vingança foi motivada pela traição de Nick. Então, como se explica ela ter estado escrevendo um diário por 7 anos? Ele já estava prevendo que Nick iria trair e mereceria um suuuuuuper castigo? Tipo, nunca passou pela cabeça dela, como super vilã, contratar um detetive e pedir um divórcio litigioso onde ele terminasse sem nada?
  • Tá, e ela construiu uma lenda de que tinha medo de sangue para poder se cortar trank e sangrar na cozinha para incriminar seu marido. Como se fosse sussa você conseguir fazer um corte no seu braço que jorrasse sangue o suficiente, depois costurar numa boa e sair de lá lépida e fagueira, usando o braço como se não fosse mais do que um arranhão. Tudo isso porque ela tem um extremo auto-controle.
  • Ela contratou um monte de cartões de crédito com o nome de Nick, comprou um monte de besteiras até falir a família e escondeu a tralha na casa de Go. Até aí tudo bem. Mas ter ficado acordada à noite, para tirar as impressões digitais de Nick e fazer um molde de silicone para espalhar as impressões dele por todos os objetos foi foda.
  • O pior de tudo foi  lance da gravidez. Fala sério, a mulher é tão inigualável que colocou um potinho pra pegar o xixi da grávida no seu banheiro, fez com que a grávida fosse lá e fizesse xixi sem se ligar nisso, fingiu que tinha medo de sangue e agulhas para que o teste de gravidez fosse feito naquela urina e saiu de lá dizendo que estava grávida!
  • Mas o supra-sumo do inacreditável foi quando ela realmente ficou grávida. Quase taquei o livro na parede. Ela sempre detestou crianças, aí, do nada, resolve que quer ter - isso anos antes de se mudar para o Missouri. Então seu marido vai à clínica, deixa um monte de esperma por lá. Ela, de repente, cisma que não quer mais ter filhos quando seu marido está todo animado. Então, um ano depois a clínica manda uma carta dizendo que vai descartar o sêmen. Sem seu marido saber, ela vai lá, resgata o sêmen, guarda por anos à fio na sua geladeira, e depois de tudo, quando o livro está no final, ela se insemina e fica mesmo grávida.

Fala sério! Ela é infalível!!
O livro é uma sucessão de acontecimentos tão infalíveis, tão bem amarrados, que aconteceram exatamente como ela queria, que, por mais previsíveis que fossem as pessoas, por mais simplório que fosse Nick, nunca teria como dar certo.
E mesmo assim, sete anos de preparo para um desfecho que você não tem certeza de que vai acontecer!
É muita fixação!
E todas as pessoas que ela prejudicou antes que simplesmente se recusavam a apresentar uma prova concreta? E o ódio secreto dela pelos pais, que eles nunca, jamais perceberam?
Por isso não gostei, não acreditei nela, não acreditei em basicamente nenhum personagem de Gillian Flynn.

Odiei o final, com ela voltando para Nick e ninguém desconfiando de nada. Todo mundo acreditando nas suas estórias. Então era assim fácil? Nick simplesmente dizia o que ela queria na televisão e ela voltava?
Nick antagonizando ela desde o início, ao invés de tentar manipular a mulher para que ela se sabotasse.
Odiei que ele não fizesse nada inteligente para tentar conseguir sair daquela situação e que simplesmente aceitasse que iria ficar com ela para o resto da vida.

Olha, mesmo bem escrito, que livrinho ruim, viu.
Prefiro voltar para meus vampiros, demônios, lobisomens, que são muito mais críveis do que o que a Gillian Flynn criou e está fazendo rios de dinheiro com isso.

18 comentários:

  1. A Resenha atrás do livro não me motivou a comprá-lo.
    Bom, mudando de assunto, você já leu Bem Profundo???
    Ele é legal, apesar de ser na primeira conjugação, da qual não estou acustuma. Porém, merece nossa atenção.
    Fica a dica!!!
    Beijinhos!!!

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  2. Gabi, oi!!! A parte sobre os desabafos tá PERFEITA.

    Meu ~~maravilhoso~~ pai é do tipo que rotula como "literatura de segunda" o tipo de coisa que curto ler - não que eu não leia clássicos e etc, mas a maior parte da minha estante também é material simplesmente de entretenimento. E olha que ele é professor de literatura - e considero que isso é ao mesmo tempo a "culpa" por esse tipo de preconceito e o exato motivo pelo qual ele não devia ter essa visão.

    Tenho várias pra comentar com você; tomara que a gente consiga conversar logo!

    beijões!

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  3. Olá!

    Olha só, opiniões são diversas e acho que posso citar a minha.

    Mais antes de mencionar minha opinião, preciso te perguntar:
    Vc realmente leu o livro????
    Porque vc descreve alguns acontecimento totalmente invertidos. Vou cita-los:
    - Quando vc menciona a questão do diário, se esquece que também foi algo que Amy planejou desde que descobriu a traição do marido. Ela não o escreve a 7 anos como vc diz, ela o escreve a 1 ano quando descobre que Nick a traía. E o escreve tentando fazer parecer que o escreve a 7 anos, mais não é. Isso tá bem claro no livro.
    - Também tem seu comentário sobre a gravidez. Ela não faz sua amiga fazer xixi num potinho, a amiga faz o xixi na vaso sanitário que a Amy já tinha manipulado para coleta do xixi da amiga e depois levar em uma clinica como se fosse dela para forjar a gravidez.
    - Amy também não coleta o sêmem do marido e deixa da geladeira por um ano... ela faz isso com o vomito do "suposto" envenenamento. O sêmem do marido fica em um laboratório que ela - inteligentemente - deixa guardado para o momento oportuno. E esse momento chega. rsrs
    - E também nem todos caem na estória que ela (Amy) conta. A detetive Rhonda Boney, o advogado e sua esposa e a irmã de Nick acreditam em Nick e até o final da estória tentam achar algo que possa incriminar Amy.
    Por isso te perguntei se vc realmente leu. As informações que vc passa não descrevem corretamente com o que está de fato no livro.

    Bom, pra mim o livro é excelente! Gostei dos personagens, da escrita, da estória e acho que são coisas que podem sim acontecer.
    A Amy é uma psicopata, e psicopatas existem. A diferença é que além de psicopata ela é muito inteligente, disciplinada, como ela mesma prefere ser chamada. Os psicopatas de hoje em dia costumam deixar rastros, na verdade não existe crime perfeito, só mesmo em livros ou filmes, em geral só na fixação mesmo.
    Mais acho que dá pra comprar a estória e acreditar que pessoas como Nick e Amy existem e que casamentos como o deles, certamente também existem! No final eles (os personagens) e nós (os leitores) descobrimos que o casal (Nick e Amy) realmente se completam.
    Achei a estória original criativa, inteligente e o final surpreendente!

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    1. Oi Denise!

      Cara, eu realmente-realmente li o livro. Se eu não tivesse lido, teria dito ali em cima até para deixar bem claro que minha opinião não estava completamente embasada.
      Mas não descarto que você pode estar com razão.

      - Sobre o diário, te confesso que não lembrava da Amy dizendo que só tinha começado a escrever o diário há um ano. Na verdade escrevi aquilo por causa da detetive Boney, que pergunta para Nick se ele sabia que Amy estava escrevendo o livro há sete anos. Procurei agora exatamente onde ela fala que estava escrevendo o diário há somente um ano, mas não achei. Só vi que ela diz na página 260 que foram 150 anotações no total. Lá na página 245 que ela diz que desde que conheceu Nick percebeu que ele queria uma "garota legal" e que ela foi essa garota legal por muito anos e quando ela percebeu que se revelasse quem era de verdade para Nick ele não iria gostar dela é que seu ódio por ele começou (página 247). Então achei razoável que ela, enquanto estivesse encenando a garota legal, resolvesse escrever também um diário. Mas como eu disse lá no começo, pode ser que eu esteja enganada.

      - Você tem razão, do jeito que eu escrevi parece que a grávida fez xixi num potinho. Eu devia ter sido mais cuidadosa na descrição, porque Amy é tão infalível que o que ela faz é conseguir retirar toda a água de sua bacia sanitária, encaixar um potinho de forma que a grávida não percebesse, direcionar a grávida para usar o banheiro certo e depois utilizar esse xixi para o teste.

      - Sobre o sêmen, ela realmente não fala em nenhum momento que guardava na geladeira, mas essa foi minha conclusão lógica. Porque eles recebem uma carta do laboratório dizendo que o sêmen vai ser descartado se não for utilizado, a carta desaparece e Nick pensa que Amy simplesmente jogou a carta fora e esqueceu do sêmen pra sempre. Só que ela na verdade teve de ir até a clínica para retirar a amostra e se ela retirou, ela precisaria manter refrigerado em algum lugar perto dela para usar quando quisesse ou achasse oportuno. Por isso eu falei que ela colocou na sua geladeira. Afinal se ela guardou o vômito, porque não guardaria o sêmen também?

      - Na minha visão somente Nick, a garota que ela inventou que a perseguia e o cara que ela inventou que a tinha estuprado eram os únicos que sabiam com certeza de que ela era o cramulhão encarnado (ah, e a mãe do ex-namorado também, claro). Os detetives ficaram desconfiados da sua estória, acreditaram em Nick, queriam ajudar, mas também não fizeram lá muita força para isso. Seu advogado e sua irmã muitas vezes duvidaram de Nick, porque realmente, quando você é casado com uma supervilã que simplesmente pensa em tudo, é muito difícil provar qualquer coisa, já que ela é infalível e não deixa nunca nenhuma prova para trás. Quando eu disse que ninguém duvidava dela, também englobei seu ex-namorado, seus pais, todo mundo que conviveu com ela por muito tempo. Se ela representava um papel diferente, 100% do tempo com cada pessoa diferente, além de ser supervilã, ela é a maior atriz de todo o universo! E as contradições entre as diferentes personalidades que ela encenava nunca foram comparadas? Afff...

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    2. A experiência de leitura é muito diferente de uma pessoa para outra e depende de um monte de fatores, entre eles a experiência de vida de cada um e o histórico de leituras. Por isso às vezes parece que duas pessoas que leram o mesmo livro, na verdade leram livros diferentes, mas isso não quer dizer que eu não descrevi corretamente o que se passa no livro. Para mim o livro foi daquele jeito. E foi diferente para você.

      Sei que psicopatas existem (tem um cara no meu trabalho que é um psicopata sem sombra de dúvidas. Estou falando sério!). E a psicopatia não leva necessariamente ao assassinato. Psicopatas simplesmente são pessoas sem empatia com as outras, que passam por cima de quem for para atingir sua meta (leia "Mentes Perigosas, O Psicopata Mora ao Lado" da Ana Beatriz Barbosa Silva).
      E não são os "psicopatas de hoje em dia" que costumam deixar rastros: todos sempre deixaram rastros, mas só hoje em dia há tecnologia suficiente para processar corretamente os rastros e chegar até eles.

      Respeito sua opinião sobre ter achado o livro ótimo, mas eu esperava mais dele.
      E sobre o final, achei extremamente brochante.
      Os personagens de folhetim, impossíveis de existir, num casamento impossível de existir.
      Apesar de que você tem razão quando diz que eles se completam.

      Bjus!

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  4. Olá Gabi,
    li sua resenha do Garota exemplar por dois motivos que não tem muito em comum. O primeiro é que eu AMO IAN e definitivamente fiquei feliz em ver que alguém pensa da mesma forma que eu penso sobre a saga; dois: eu comecei a ler Garota exemplar mês passado e parei na página 150 por que toda a história estava me deixando sonolenta - o que pra uma pessoa que lê livros de 400 páginas em uma noite é bem estranho rs - e eu já tinha uma ideia um pouco concreta na cabeça de que das duas uma, ou a Amy estava realmente fazendo uma Caça ao tesouro com o Nick pra poder voltar com a relação ou ela realmente tinha sido assassinada. Bem, depois de ler sua resenha e descobrir toda a verdade fiquei feliz de não ter acabado de ler o livro porque no fim me sentiria como uma idiota. Devo acrescentar que a história teria sido muito melhor se no fim Nick realmente descobrisse quem Amy era de verdade e se divorciasse finalmente ou se no fim das contas Amy desencanasse e fosse atrás de sua própria felicidade com alguém igualmente irritante e mimado.
    Bjs, Thay.

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  5. Achei a leitura muito boa, e não encontrei nenhuma ponta solta como você disse ter encontrado. Agora, na sua crítica, vi muita coisa que nem existe no livro, como já foi dito pela Denise nos comentários (o que poupou meu tempo rs). O que eu senti na sua escrita foi a sua "impaciência" com estereótipos, projetando na Amy muita coisa que você não gosta, e isto influenciou muito a sua opinião sobre a obra.
    Tente ser mais neutra na próxima critica, e no fim, abra um espaço para as suas opiniões pessoais.

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    1. Olá, Anônimo!

      Ler é algo muito pessoal e íntimo. E a gente cria laços emocionais com aquilo que lê: seja de afeto, seja de ojeriza.
      Sobe um nó na garganta quando alguém elogia rasgadamente algo que você detestou e, da mesma maneira, quando alguém esculhamba algo do qual você gostou.

      Saber que as pessoas reagem de maneira diferente ao que você escreve faz parte das agruras de ter um blog. E eu já esperava isso ao fazer a resenha desse livro tão bem elogiado por aí.

      E por falar em elogio, você leu o comentário da Denise, mas leu minha resposta a ela?
      Por respeito aos leitores desse blog, eu procuro sempre responder aos seus questionamentos sobre minhas opiniões para promover o diálogo. E um diálogo enriquecedor sempre tem dois lados que se respeitam e tentam enxergar o ponto de vista do outro.
      Bem, eu entendo seu ponto de vista. Sua história de leituras e a minha devem ser completamente diferentes, por isso um livro cira uma ou outra expectativa, que é satisfeita ou não.

      Agora, entenda meu ponto de vista: você acertou na mosca quando disse que eu fiquei impaciente com o livro e os estereótipos e projetei na Amy características que eu considero defeitos em um personagem. Foi exatamente isso.
      E o nome do que eu fiz é "resenhar".

      As resenhas literárias que eu sempre encontro por aí tem alguns elementos fixos: quantidade de páginas do livros, nome da editora, data de lançamento, reprodução do texto da orelha ou da contra-capa.
      Apesar de estarem frequentemente presentes em resenhas de outros blogs, esses elementos textuais não são obrigatórios de uma resenha.
      Reconhecendo que uma resenha é uma análise de um objeto, realmente descrever seus aspectos "físicos" e informações técnicas pode fazer parte da resenha de alguém. Mas o que eu pratico aqui neste blog é uma resenha crítica.
      De acordo com um guia para elaboração de resenhas que encontrei numa pesquisa rápida online (disponível em http://www.esma.edu.br/downloads/normas/Normas_resenha_esma.pdf)"Resenha é a apreciação de uma obra de forma avaliativa e crítica, apresentando suas linhas de pesquisa sintetizadas em conteúdos relevantes para o entendimento do leitor."
      E o roteiro para realização de uma resenha é:
      a- Uma leitura global da obra;
      b- Segunda leitura, no entanto mais analítica, levantando (selecionando) as idéias e argumentos do autor;
      c- Sintetização dos dados selecionados;
      d- Posicionamento crítico para construção da resenha;
      e- Pesquisa, se necessário, para facilitar as argumentações;
      f- Produção do texto propriamente dita.

      É exatamente assim que eu faço.
      E neutralidade na crítica e resenha não caminham juntas. As minhas opiniões pessoais SÃO a resenha.
      Como li no site da PUC-RS[http://www.pucrs.br/gpt/resenha.php]: "O tom da crítica poderá ser moderado, respeitoso, agressivo, etc.
      Deve ser lembrado que os resenhistas - como os críticos em geral - também se tornam objetos de críticas por parte dos "criticados" (diretores de cinema, escritores, etc.), que revidam os ataques qualificando os "detratores da obra" de "ignorantes" (não compreenderam a obra) e de "impulsionados pela má-fé"."

      Ou seja, caro Anônimo, apesar de estar aqui na internet, no meu blog pessoal, que não tem vínculo com nenhuma editora ou autor, somente compromisso com a honestidade da minha opinião, eu tenho de ter consciência que haverá pessoas que criticarão minha crítica.
      E isso faz parte.

      Um grande beijo e volte sempre!

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  6. Nossa, ela fala varias vezes durante o livro que o diário foi escrito no ultimo ano enquanto Nick estava trabalhando no bar (ela abria uma garrafa de vinho e começava a escrevê-lo). Não acredito que vc não percebeu isso durante a leitura. Recomendo que releia o livro porque vc definitivamente não o entendeu.

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  7. O documento enviado ao Nick a respeito do sêmen é que precisavam de autorização para eliminá-lo, já que eles jamais deram uma resposta. O ÓBVIO na verdade, não é que Amy foi até lá, pegou o sêmen e guardou na geladeira. O ÓBVIO e o dedusível, sinceramente, é que ela foi até a clínica e não autorizou que fosse descartado. E provavelmente e OBVIAMENTE pediu/pagou para que o guardassem. Simples.

    Sobre o banheiro... De onde voce tirou essa história de pote no vaso sanitário? Basicamente (e olha, nesse caso nem é preciso deduzir, entao não se trata do óbvio, mas sim de fatos, fatos dados pela própria Amy) ela retirou todo a água que fica no vaso sanitário, como se faz quando o encanamento dá algum problema ou simplesmente queremos retirar o vaso dali. Você não retira o vaso simplesmente do nada, você antes "seca" o vaso, ou seja, retira a agua, para então executar a sua tarefa com o pobre DL vaso, seja ela qual for. E Amy o fez. Assim, quando a sua amiga grávida, apos beber litros de limonada, foi fazer xixi, ela não conseguiu dar descarga. Como Amy conta, as duas ficaram constrangidas. A partir disso, Amy COLETA o xixi da mulher, vai até o laboratório e faz o exame através da urina. Minha prima fez seu exame de gravidez pela urina porque desmaia quando tira sangue, é um procedimento normal. Ninguém colheu o xixi da minha irmã, ela entregou o xixi num potinho, como qualquer exame de urina, ou fezes.

    Realmente acredito que você tenha lido o livro e ele não te satisfez. Mas é preciso ter MUITA atenção ao ler um livro antes de escrever uma resenha num blog. OK, o blog é seu e voce pode escrever qualquer abobrinha que for, afinal é a sua opinião. Mas fatos distorcidos não são uma opinião, apenas denotam falta de atenção ou incompreensão do livro, não por erro da autora, mas erro na sua leitura.

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    1. Oi Flávia!

      Esse livro é um dos que mais geram bafafá porque a maioria absoluta das pessoas amou o livro e fica muito aborrecida quando eu digo que não gostei.

      Se ela tirou o vaso ou se colocou um pote; como foi que ela ficou com o sêmen: isso é irrelevante. O grande lance é a infalibilidade nos planos dela. Ela é uma super-vilã de estória em quadrinhos, que prevê quase todos os passos de quase todas as pessoas com as quais se envolve. Nenhum psicopata é assim tão brilhante! Nenhum psicopata consegue encenar por tanto tempo, personagens tão diversas, para pessoas tão diferentes.

      Foi isso que detestei no livro.
      A não ser que ficasse mesmo claro que o livro se trata de alguém com super-poderes, não é possível que ela fosse tão perfeita assim.

      Enfins, eu realmente falo muita abobrinha, mas se ela desperta uma paixão tão forte em pessoas como você, acho que cumpri meu papel como resenhista.

      Acho bacana que você - e outras pessoas - se sintam compelidas a escrever um comentário. Acho que é pra isso que servem os blogs. Acho que você tem direito de dar também sua opinião.


      Espero que você volte. Espero que continue comentando. Espero que encontre outros livros com opinião diversa da sua e mais alguns com os quais você concorde com a minha opinião. Hehehehe

      Beijos!

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  8. Achei alguém que detestou o livro! ótimo, eu também!

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    1. Huahahahaha
      Finalmente alguém que me entende...
      Obrigada por existir, Emiih!

      Beijocas!

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  9. Olá, você não sabe o quanto eu fico feliz em encontrar alguém que pense como eu! Achei o desenrolar do livro muito interessante e admiro a Amy, seu humor negro, seu ponto de vista no diario e é claro seus planos diabólicos!!! Entretanto creio que o final deixou a desejar, uma vez que é sem graça, não surpreende. Se o livro fosse meu, ele teria matado ela no final Ahahahhahah
    Beijos e continue assim!

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  10. Amei a resenha!!! Descreve perfeitamente o que eu senti ao terminar de ler o livro, tanto que a minha primeira atitude foi procurar uma resenha que descrevesse isso, e não o tanto de resenha falando bem a respeito do livro.
    Você comparou o livro com o Não conte a ninguém, outro livro que também detestei (ainda bem que paguei só R$10,00 kkk).

    Quando eu terminei de ler o livro, também me diz a mesma pergunta: "UÉ, É SÓ ISSO??". Procurei algo a mais nas páginas seguintes, mas eram só agradecimentos --'.
    Também esperava muito mais, por conta das milhares boas recomendações, mas enfim ...

    Gostaria de expor uma falha que percebi na história e que quando estava lendo, estava na torcida pra que acontecesse esse desmascaramento, pois não existe crime perfeito. Devido à trama toda ter sido exposta na mídia, NINGUÉM da pousada que ela ficou escondida a reconheceu assim que ela reapareceu??? Porque o período que ela fica sumida é de 40 dias, e em 40 dias o cabelo dela não teria crescido completamente, mesmo que ela tivesse tingido de loiro novamente, daria pra reconhecer e denunciá-la a polícia, já que a mãe de Desi foi a mídia dizer que ela o matou.

    Não gostei do livro e também não tenho a mínima intenção de ler algum outro livro da Gillian Flynn.

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  11. Eu também odiei esse livro e achei que era a única porque em todos os locais as pessoas simplesmente adoraram esse livro! Então a idiota devo ser eu que não entendi esse supra sumo da literatura atual? Acho que não rsrsrs. O ponto alto que me fez passar a odiar definitivamente esse livro é que obviamente não há a menor lógica que de uma hora para outra a Amy com cérebro brilhante, super inteligente, psicopata ou sociopata desde sempre tem um click e se torna a Amy idiota! A narrativa da história logo que descobrimos que ela está viva é tão surreal quanto uma obra de Klimt.

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  12. Adorei a resenha!
    E eu também odiei esse livro!
    A Gillian soube muito bem desenrolar o livro mas deixa a desejar nos últimos capítulos! Tenho a mesma opinião sobre o livro que você!

    Obs: Se eu fosse a autora eu mataria a Amy no final sem hesitar!!

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:) :( ;) :D :-/ :P :-O X( :7 B-) :-S :(( :)) :| :-B ~X( L-) (:| =D7 @-) :-w 7:P \m/ :-q :-bd

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