Divergente - Verônica Roth: Volume I da Série Divergente

Gallëre...
Queimei minha língua.
Falei que eu estava gostandinho de Divergente e agora estou gostandão!

Terminei de ler tudinho de uma tacada só, emendei o Insurgente e terminei o Convergente!
Aminada por isso, lá vem resenha do primeiro, porque, como diria Jack, o Estripador, "Vamos por partes".
Segura aí!


Entonces, pessoas. Como disse, apesar de não ter me empolgado muito no início, depois que engatei, fui embora.

Primeiro pensei em fazer uma postagem de resenha logo dos 3 livros, mas achei que a postagem iria ficar comprida demais, então hoje vamos falar só de Divergente.
É que depois de terminar de ler todos os livros, achei que mesmo que só postasse no início um texto parecido com o que está escrito nas orelhas dos livros, estaria dando spoilers...

Meu único receio é terminar não postando as resenhas dos livros seguintes...
Porque vocês me conhecem bem e sabem que nada que eu prometo nesse blog eu cumpro, pode bem ser que eu termine nunca liberando as postagens dos outros volumes... Já peço desculpas antecipadamente.

Tenho que agradecer à Lorena, por ter indicado esse livro. Eu tinha ficado pirada no Jogos Vorazes e ela disse que Divergente era muito melhor.
Veja bem, não posso afirmar isso, porque gostei dos dois. Mas, confesso que a Katniss de JV é mais o meu tipo de heroína, que vai lá e resolve. A Tris, apesar de também ser bem forte, ainda tem umas coisas que me deixam irritada.

Aviso: as opiniões contidas nesse blog são pessoais. Os autores do blog não tem nenhum compromisso com nenhuma editora ou autor. O fato dos autores do blog Peixinho Prateado gostarem ou não de um livro não quer dizer que eles estão te ofendendo pessoalmente. Por isso, por mais que você não concorde com a opinião dos autores do blog Peixinho Prateado, respeite-a. Você também tem seu espaço para externar a sua opinião ali embaixo nos comentários. Seu comentário será publicado e provavelmente respondido (de acordo com a disponibilidade dos autores do blog Peixinho Prateado) se for redigido com respeito e educação.
Dito isto, divirta-se! ;D

Vambora falar do livro!


- A autora: Verônica Roth

(crédito da imagem para Goodreads)
Vevê é uma garota de 25 aninhos do subúrbio de Chicago. Nasceu em NY, filha de uma pintora. Divergente foi um projeto despretensioso que saiu em 2011 durante suas férias de verão.
Gostei dela de cara depois de ver como ela é arrumadinha, com um cabelo fofo e roupitchas estilosas.


- O Livro - sem spoiler

(crédito da imagem para Mundo Estranho)
O livro é mais uma distopia.
Distopia é o contrário de utopia. Utopia é quando onde o futuro é lindo e todas as pessoas são felizes.
Numa estória distópica, geralmente o futuro não é lindo: é caótico.

No caso de Divergente, parece que o mundo inteiro sofreu algum tipo de calamidade (que não fica clara neste livro qual se foi guerra, peste, catástrofe natural ou o que quer que seja). A sociedade onde acontece a estória está sediada em uma área bem pequena, pelo que entendi, e que se ergue sobre os destroços da Chicago atual. Mas o pessoal que está dentro dela sequer sabe que estão em Chicago. A cidade nem tem nome.

Por algum motivo, que não sei se não falaram ou se eu já não lembro qual foi (podem xoxar ali embaixo dizendo que eu não entendi nada, que eu não li o livro, que minha inteligência é limitada... Tô acostumada com essas pessoas que se escondem atrás de um avatar para ofender as outras, mas não tem capacidade de produzir nada, nem mesmo um bloguinho besta. #RevoltzModeOn), resolveram que a sociedade seria dividida conforme a índole de cada pessoa em cinco facções:
  • Abnegação: pessoas que colocam os outros antes de si mesmos e rejeitam qualquer vaidade. Não se olham nem no espelho pra não estimularem a auto-indulgência, não possuem obras de arte ou livros, não ligam para o belo, não têm roupas bacanas. Por serem altruístas e pensarem no bem comum acima do individual, são os responsáveis pelas decisões políticas, legislação e tals. Todo mundo se veste de cinza igual a época do comunismo na China. Não se dão bem com a Erudição porque acreditam que a busca por conhecimento é um traço de vaidade. As pessoas que culparam o egoísmo como o responsável pelo colapso da sociedade anterior fundaram a Abnegação;
(crédito da imagem para Divergente Brasil)
  • Amizade: pessoas que valorizam a liberdade e as relações humanas. São os artistas da sociedade, por isso se vestem de maneira confortável e colorida, em tons de vermelho e amarelo (ketchup and mostarda feelings). Também são os responsáveis pela criação de gado e agricultura, e fornecem a comida para as outras facções. Não se dão bem com a Franqueza porque acham que franqueza demais estraga as relações interpessoais. As pessoas que culparam a agressividade como responsável pelo colapso da sociedade anterior fundaram a Amizade;
(crédito da imagem para Divergente Brasil)
  • Audácia: pessoas que valorizam a coragem acima de qualquer virtude. São os patrulheiros, os policiais e todos os cargos relacionados a segurança. Se vestem de preto, todo mundo tatuado. As pessoas que culparam a covardia como responsável pelo colapso da sociedade anterior fundaram a Audácia. E eu, que não sou certa, cada vez que leio essa palavra penso: "Audácia da pilombeta!" Huahahahaha;
(crédito da imagem para Divergente Brasil)
  • Erudição: pessoas que valorizam o conhecimento, a inteligência e sabedoria. Se vestem de azul e seguem à procura de aprimoramento das suas capacidades intelectuais. Não suportam a Abnegação porque acreditam que esse excesso de altruísmo priva as pessoas de suas capacidades intelectuais plenas. As pessoas que culparam a ignorância como responsável pelo colapso da sociedade anterior fundaram a Erudição;
(crédito da imagem para Divergente Brasil)
  • Franqueza: são pessoas que valorizam a verdade acima de tudo. Como acreditam que a vida é preto-no-branco, só se vestem dessas cores. Não gostam da Amizade porque acham que eles valorizam as relações pessoais em detrimento à verdade absoluta dos fatos. As pessoas que culparam a duplicidade como responsável pelo colapso da sociedade anterior fundaram a Franqueza.
(crédito da imagem para Divergente Brasil)

Quando a pessoa chega aos seus 16 anos (aliás, qual é a treta desses americanos com 16 anos? Caceta! é sempre com 16 que alguma coisa acontece!! Mas deixa quieto) é submetida a um teste onde é injetado um composto químico que induz a uma alucinação onde cada indivíduo tem de tomar decisões de acordo com o desenrolar de uma cena. De acordo com as decisões tomadas, seu perfil psicológico é traçado e ela é indicada para a facção que mais se encaixa com suas convicções pessoais.
"Facção antes do sangue."
Divergente, pág. 49.

Se sua personalidade não é compatível com a facção onde a pessoa nasceu e se criou, ela será deslocada para a facção com a qual tem maior afinidade.

E no caso do teste ser inconclusivo? E se a pessoa tiver tendências para mais de uma facção?
Então ela é classificada como Divergente.

E foi exatamente o que aconteceu com nossa heroína, a personagem principal dessa trilogia. Beatrice é classificada como Divergente. O que é uma coisa muito perigosa, mas ninguém diz a ela por que ser divergente deve ser mantido em segredo.

Depois do seu teste Beatrice, que nasceu na Abnegação, resolve mudar de facção e vai para a Audácia.

Lá escolhe o nome Tris e começa a treinar, pois na audácia, quem não passa nos testes de coragem é expulso e vira um "sem facção", uma pessoa sem nenhum status social, que vive à margem da sociedade.

E, como estamos falando de um livro de young adult, não só a narrativa é em primeira pessoa, como Tris é uma pessoa "especial" dentre várias normais e está tendo dificuldades para se aceitar e se conhecer. Ah, e é claro que rola um interesse por um gatinho inalcançável - senão não seria livro para adolescentes.


- O Livro: com vários spoilers - conversando com quem jé leu o livro.
Gatinhas e gatões, se vocês não querem saber o que acontece em Divergente, parem de ler por aqui.
Daqui pra frente vou falar das minhas impressões sem segurar a língua nas partes essenciais da estória e que contém spoilers.
Prontos?



Então vamos lá.
Tudo acontece marromenos como eu contei ali em cima. Não quis contar mais para não acabar com o suspense da estória.

Mas vamos às minhas reais impressões sobre esse livro.
Já de início achei que essa estória de somente 5 facções seria muito limitada. Se nós fôssemos nos avaliar de acordo com as premissas de cada facção, dificilmente conseguiríamos nos encaixar completamente em uma só.
Sem querer dar spoilers, mas no fim do segundo e no terceiro livro fica claro porque nós aqui nessa realidade de hoje em dia não nos encaixaríamos nas facções. Só isso vale a leitura dessa coleção, porque é muito inteligente!

Deixando de lado o fato da narrativa em primeira pessoa e do "adolescente especial", Divergente tem elementos bem bacanas. Pra começo de conversa, é bem sanguinolento. Todo mundo morre, se quebra, leva tiro. Não tem suavização. Isso foi bem legal.
Sobre o "adolescente especial", já vou avisando que o que eu mais gostei foi do fato da Tris não ser assim tão especial. Ser Divergente terminou se mostrando uma coisa mais comum do que o pessoal do governo imaginava.


Gostei também das críticas - inicialmente sutis - sobre manipulação genética. Eu, particularmente, acho que manipulação genética é um tiro no pé. A gente - os seres humanos - temos uma compreensão muito limitada da mecânica da natureza pra tentar fazer esse tipo de intervenção achando que vai sair tudo como a gente imagina.
Se bem que acho mesmo que as super corporações atuais que manipulam sementes e financiam pesquisas de manipulação genética estão muito mais interessadas no lucro do que no futuro do equilíbrio ambiental. Se você for muito egoísta, vai se dar conta de que só estará nesse planeta por mais uns 80 anos, então foda-se o futuro fodido que deixar para as futuras gerações, não é?

Mas gostei das tatuagens.
Adoro tatuagens, vocês sabem...
E na Audácia todo mundo tem tatuagens.

Então tá: Tris é uma adolescente da Abnegação que descobre ser Divergente e resolve escolher a Audácia como sua nova facção. E ela, como em quase todos os livros young adult, é muito mula!
Uma coisa que detestei e sempre detesto em todos os livros adolescente que leio é quando está muito claro o caminho correto a ser seguido e que o "adolescente especial" não segue. Um exemplo disso é a deslealdade de Peter. Não consigo aceitar todas as vezes em que Tris deixou de denunciar as atitudes abomináveis dele durante o treinamento. Pra mim isso não está bem explicado e acho ela uma mula por não ter tentado tirar o cara do programa desde o início.


Oscilo entre o amor e ódio sobre o treinamento que a Tris precisa cumprir para ser aceita na Audácia. Gostei da Tris ir se aprimorando com o tempo, mas simplesmente detesto o fato de ela ser tão desengonçada. Não me vejo como ela, me vejo mais como Katniss, que sempre foi carne de pescoço. Talvez por isso meu coração ainda seja mais cativado por Jogos Vorazes do que por Divergente.

Desde o jogo de Pique Bandeira que eu senti que essa Christina é uma falsa - apesar de vir da Franquesa. E Tris também sabia disso. Má vontade com ela desde sempre.
Al foi uma surpresa super desagradável. Gostava dele e foi um choque quando ele participou da tentativa de assassinato de Tris.

O resto do treinamento é uma encheção de linguiça: só para mostrar o aprimoramento de Tris como combatente. E também para construir a relação entre ela e Quatro.
Sobre a paisagem do medo, fiquei feliz pela autora não ter cedido ao clichê de fazer Tris ter menos medos que Quatro.
Agora, o medinho de trepar me irrita...


Então, só lá pela página 400 (de um total de 500) é que Tris começa a entender que a Erudição está armando um golpe junto com a Audácia para eliminar a ameaça do Divergentes. Isso estava bem claro pra todo mundo que leu o livro: alguma coisa nos Divergentes ameaçava quem queria o controle. Desde o início também estava claro que a Erudição estava manipulando o povo contra a Abnegação sinal de que eles queriam tirar os humildes do poder.

O grande lance com os Divergentes é que eles são praticamente imunes aos soros que induzem às alucinações através de simulações. Essas alucinações são responsáveis por controlar cada uma das facções.
E é assim que Tris se vê envolvida na tentativa de exterminação de toda a facção da Abnegação. A Erudição tramou com a Audácia a eliminação desse pessoal através da indução de uma simulação que faria todos os membros da Audácia - única facção armada - enxergarem os membros da Abnegação como ameaça.
E a principal entusiasta desse plano é Jeanine, a líder da Erudição. Não entendo se a autora quer que a gente tenha ou não raiva de Jeanine, porque mesmo que ela tome decisões condenáveis, não é movida pela paixão, pela sede de poder, somente pela sua lógica.

E dá uma merda danada, já que Tris e Quatro resistem à simulação e não matam seus pais. Nisso os dois vão para o quartel general de Jeanine e conseguem escapar de lá com algum esforço - lembrando, ela com 16 e ele com 18 anos conseguem sobrepujar a força e a inteligência de pessoas mais velhas da facção mais inteligente.


E no final, mesmo tendo frustrado a tentativa de golpe, o grupo rebelde - com Tris e Quatro no meio - ainda toma decisões imbecis que só servem para dar mais opções dramáticas à autora: como a de levar Marcus e Peter com eles na sua fuga para o setor da Amizade.
Pra que levar os dois mau-caráteres da estória junto? Por que não eliminar esses canalhas logo? Se eles tiveram sangue frio para matar outras pessoas, essas deveriam ter sido mortas também.
Logicamente, eles irão causar problemas nos próximos livros. Por isso estão entre os salvos do confronto.


Como o final foi eletrizante, parti logo para a leitura de Insurgente, o segundo volume da trilogia.
Embora possa parecer que o livro me deixou mais irritada do que contente, na verdade foi um bom livro. Não foi o melhor de todos, mas foi divertido.

Quem lê de coração aberto, sem se preocupar em julgar a coerência - como eu faço sempre! - se diverte muito mais.
Leiam de coração aberto porque vale à pena.

Um comentário:

  1. Perfeito, amiga! Eu li os 3 numa tacada só, mas tb continuo preferindo Jogos Vorazes. Ainda assim, o universo que a Roth criou de brincadeirinha é mto bem estabelecido, mto bem definido. O filme nem é metade do que vale o primeiro livro, mas a grande sacada é toda essa discussão do que é necessário pra uma sociedade melhor. E esses debates de sacrifício x auto punição, confessar x admitir, gostei mto disso. Gostei mto da evolução e involução dos personagens, do mundo todo em si tb. Acho que vale mto a leitura! Ah, e não acho que seja pra odiar Jeanine, pq ela segue fielmente seu raciocínio sistemático, e como os sem facção ela não mede esforços pra fazer o que acredita que é certo. Mesmo que esse certo seja absolutamente estranho e faça mal a mta gente... kkkkkkkkk O Marcus sim é sempre odiável! kkkkkkkk E é a prova de que divergência não necessariamente é algo bom ou ruim. O Peter é a pedra no sapato que vc tem que carregar pro resto da vida, ainda acho que ele seja psico, apesar de ele dizer que não! Minha próxima distopia: Maze Runner. Porque descobri que esse lance de distopia é a minha praia, cada serie assim que pego não consigo parar de ler até acabar!

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